SURGIMENTO DO KARATÊ

 

O karatê, como arte marcial, teve seu início através da imigração de monges e rebeldes, que dominavam essas técnicas. Essa imigração ocorreu em conseqüência do distanciamento da espiritualidade das artes marciais, que começaram a existir,apenas como combate, contrariando o ideal iniciado pelos monges. No Japão, veio o enriquecimento das práticas gerando uma nova disciplina marcial. Nesse sentido, há de se destacar o arquipélago de Okinawa por ter fundamental importância no crescimento das artes marciais no Japão, devido a sua localização geográfica e as vias de intercâmbios comerciais e culturais com a China. Foi em Okinawa, a maior da ilhas, que originou-se uma arte marcial própria, conhecida como "Okinawa-te", com deslocamentos em linhas retas, que pouco a pouco se mesclou com as formas mais brandas e com movimentos circulares da arte marcial vinda da China. Isso aconteceu até que em 1600 d.C., a ilha de Okinawa foi conquistada e uma restrição muito severa ao uso de armas foi imposta. Isso provocou o aprimoramento das técnicas de combates sem armas. Como essa prática se dava na clandestinidade, cada cidade criou características próprias em suas diferentes práticas. Esse foi o ponto em que surgiram os diversos estilos da arte marcial das mãos vazias.




KARATÊ ATUAL

 

Mais contemporaneamente, o que se deve destacar neste histórico são as datas, marcantes, a seguir. Segundo GONZALEZ (1985), em 1902, por exemplo, é quando surgem os primeiros antecedentes públicos do karatê. Em seguida, após a guerra russo-japonesa, em 1906, são realizadas as primeiras exibições públicas de karatê. Esse foi o início para a popularidade da arte. Já por volta do ano de 1914, havia um grupo de grandes mestres: Kyan, Fosukuma, Chibana, Mabuni, Motobu, Miyagui, entre outros que disseminavam a filosofia e a prática. Isso leva à introdução oficial do karatê no Japão, em 1922, pelos mestres de Okinawa em viagem ao continente. Nesse ano, também, o mestre Funakoshi (1870-1957) realiza uma brilhante apresentação aos membros do Ministério da Educação, quando fica decidido a implementação do karatê como cadeira normal dentro das universidades. Um ano mais tarde, a arte marcial Judô (JU= suave, DO = caminho: caminho da suavidade) seria apresentada aos membros do Ministério da Educação, através do mestre fundador Jigoro Kano, com o mesmo êxito, sendo também introduzida como cadeira normal nas universidades japonesas.

 

DESENVOLVIMENTO DOS ESTILOS

 

Como se vê por esse breve histórico, várias escolas de karatê surgiram. Muitas bem sucedidas e que carregam vários adeptos através dos anos, mantendo os ensinamentos originais de seus fundadores. Cada escola marcial, que se tornava forte, tinha suas próprias características tornando-se uma arte em si. Além disso, a partir do estilo especial de treinar karatê criado em Okinawa, linhas também especiais surgiram, como o Goju-Ryu, Shito-Ryu e Shotokan.Esses se destacam como os principais estilos (mantém-se até hoje, no mundo todo). Cada estilo possuía dezenas de adeptos. Entre todos eles, alguns se sobressaiam e chegaram a desenvolver a arte marcial a um nível nunca atingido anteriormente. Dessa forma, o destaque e reconhecimento era inevitável. Muitos alunos e seguidores consideravam seus conhecimentos como um livro sagrado, na tentativa de perpetuar seus ideais. Porém essa perpetuação não ocorreu de forma ilesa, isso, por permitir um grande número de adeptos, que se espalhavam pelo mundo todo, e que acabaram por criar diferentes correntes. Para denotar essa situação, observa-se a figura 1. Nela estão descritos os três principais estilos e as mais fortes correntes atualmente existentes. 

Figura 1: Linhas de Karate derivadas dos principais estilos de Okinawa. (GONZALEZ, 1985: 19)

 
Atualmente, no Brasil, há adeptos dos três estilos de Okinawa. Algumas linhas sofriam influência de mais de um estilo. Ao contrário do que se imagina, não havia uma mistura dos estilos, mas sim a criação de uma nova linha, como se pode ver estampado na figura 2.

 

Figura 2: Influência de mestres de estilos diferentes criando uma nova linha. (GONZALEZ, 1985: 20)


Os créditos a cada uma das linhas atuais existentes se deve em particular a uma pessoa, isto é, ao mestre que a criou respectivamente. Na figura 3 são mostrados os principais precursores da linhas atuais do karatê.

 

 

São muitas as ramificações de artes marciais e do caratê. Neste item serão mostradas as características do caratê, com base em pesquisas realizadas na Internet, SÁ (1982), D'ELIA (1989)e HISAMOTO.

 

O BRASIL CONHECE O KARATÊ


No Brasil, o Karatê chegou com os imigrantes japoneses na década de 40. Os treinos, hábito comum nas famílias que chegaram, foi aos poucos sendo assimilado e desenvolvido, também, pelos ocidentais. Durante muitos anos, a prática deste esporte se resumiu a apenas uma atividade familiar. Com o passar do tempo, o grande número de adeptos transformou isso em esporte.
Aqui, ainda há uma barreira cultural muito grande a ser quebrada, pois essa atividade ainda não é considerada como outra qualquer no país. Uma vez que essa sociedade classifica a arte como sendo apenas luta, e isso está sempre ligado à violência, por esse motivo o caratê é, quase que sempre, banido dos grandes círculos esportivos. Por não ser popular, na hora de considerar por esse esporte ou por um outro de maior penetração social e esportivo, o iniciante, futuro atleta, não pensa duas vezes em deixar o Karatê como última opção. Por outro lado, graças a isso, é no Karatê que se encontra um número muito maior de atletas que realmente o praticam por gostar e não por esperar retorno financeiro ou publicitário. Devido à política do país, o esporte ficou vinculado muito tempo a uma Federação Desportiva que não era diretamente ligada ao Karatê. Isso limitou muito a sua penetração na sociedade e a sua fixação como um esporte comum. Uma lei (a "lei Zico", criada quando o grande jogador de futebol Zico foi Ministro dos Esportes) permitiu que a única federação oficial do país que se conseguiu criar exclusivamente ao caratê fosse acompanhada de federações paralelas. Estas novas federações, livres para agir, criaram correntes que não são convergentes, dificultando também sua penetração.

 

O KARATÊ NAS OLIMPÍADAS



A prática dessa arte marcial no mundo, hoje, é bastante acentuada principalmente nos países maiores como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha e como não podia deixar de ser, Japão, são os países onde há o maior número de praticantes de pelo menos uma das linhas.
No Japão, por exemplo, Karatê não é apenas um esporte, é uma filosofia e uma necessidade de se manter corpo, mente e espírito saudáveis. Nos Estados Unidos, os campeonatos são grandiosos eventos utilizados para se obter lucro e divulgação publicitária, entre outros objetivos capitalistas. Na Europa, também, o desconhecimento é bastante acentuado. Com a disseminação do esporte no mundo todo, permitiu-se que se criasse uma organização mundial ("WUKO"), com confederações em cada país, organizando o esporte tomando força a ponto de se transformar num esporte moderno. Para isso, fez-se necessário que a prática do esporte fosse uma atividade segura para seus praticantes, de forma que ao ser praticada, trouxesse aos participantes desenvolvimentos físico e intelectual e não pudesse causar riscos físicos. Durante muitos anos essa tem sido a meta maior do esporte, mas a maturidade demorou mais do que outros devido, principalmente, à prática ser algo mais familiar do que de competição, praticamente no mundo todo. O Judô, por exemplo, conseguiu atingir esta transformação muito mais cedo e por esse motivo já participa de olimpíadas a vários anos. Para ser um esporte olímpico, uma modalidade esportiva precisa primeiro ser apresentada ao mundo em uma olimpíada. A modalidade será então julgada para a decisão de sua aceitação ou não. Caso não consiga atingir todos os requisitos para ser uma modalidade olímpica, deverá permanecer pelo tempo de vinte anos se reorganizando.

 

PRATICANDO O KARATÊ

 

Cada pessoa é única, principalmente em si e é única em função da fase e idade na qual se encontra. O Karatê, justamente por considerar os limites individuais importantes, auxilia as pessoas a encontrarem a expansão para esses limites. Uma vez encontrados, os treinamentos permitem isso, sendo mais fácil para alguns e muito mais difícil para outros, dependendo especificamente de cada um. TEGNER (1991) e DUNCAN (1979). No entanto, ao realizar isso, a união com o espírito torna-se cada vez maior. Nesse esporte que é considerado por muitos como sendo violento, encontram-se muitas pessoas que obtiveram êxito em superar deficiências, como:

 

dificuldades respiratórias;
dificuldades de inter-relacionamentos;
tendências para a violência;
medo de violência;
etc.


Não há estatísticas oficiais sobre a questão dos benefícios obtidos com a participação em treinos de Karatê, mas pode-se facilmente encontrar essas pessoas durante os treinamentos. Apesar de considerado violento, encontra-se um índice muito maior de pessoas machucadas em esportes considerados muito menos violentos, como o futebol por exemplo, do que no Karatê. Isso se deve aos exercícios de auto controle, que são exaustivamente treinados. Por exemplo, em lutas durante os treinos ou em competições, não é permitido causar prejuízos físicos ao adversário. Isto é mais difícil executar, pois exige maior força de controle e de concentração, além da força física, mesmo que sejam utilizados protetores para o corpo. A execução do Kata, por exemplo, desenvolve habilidades para raciocínios espaciais maiores e mais rápidas pelos seus praticantes. No Kumite, a superioridade física adquirida desenvolve uma habilidade maior pelo respeito aos adversários em aula e, principalmente, fora dela.